Numa região longínqua da Terra, havia um poderoso império cujo imperador sabiamente governava. A imperatriz era uma jovem e bela mulher que a todos encantava. Por onde ela passasse, ninguém conseguia deixar de a admirar, tal era a sua beleza. Imperador e imperatriz viviam felizes no seu enorme e maravilhoso palácio.
Mas o tempo passava e o imperador começava a ficar velho. O império tinha muitos reinos e os reis faziam por vezes guerras entre si e era o imperador que tinha que ir com o seu exército impor respeito e obrigá-los a viver em paz. O imperador pensava que precisava dum filho a quem pudesse deixar o império e que o ajudasse a manter a ordem com a energia que só os príncipes jovens têm.
Mas a bela imperatriz não conseguia ter um filho. Rezava todos os dias para que engravidasse, mas nada acontecia. O casal ficava cada vez mais triste.
Um dia, veio um circo ambulante ao palácio apresentar o seu espectáculo. Havia palhaços, funâmbulos, animais, acrobatas e chimpanzés que faziam habilidades extraordinárias. Todos ficaram entusiasmados com o circo. No fim do espectáculo, o imperador e a imperatriz quiseram visitar os artistas. Quando entravam em cada uma das tendas montadas no terreiro à volta do palácio, o imperador e a imperatriz davam prendas aos artistas e aos seus filhos. Chegaram a uma tenda onde estavam as celas dos chimpanzés. Então, a imperatriz olhou e viu uma chimpanzé abraçada à sua filhota. Achou muita graça à pequenina agarrada ao pêlo da mãe e pensou para si: "Se Deus me desse ao menos assim uma filha como aquela macaquinha, já eu seria feliz!".
Uns meses depois, começou a notar-se que a barriga da imperatriz aumentava cada vez mais. Finalmente estava grávida! Ia ter um príncipe ou uma princesa! O imperador não cabia em si de contente.
No dia do parto, a mulher que assistia a imperatriz soltou um grito de espanto, mas não teve coragem de dizer o que era. Colocou o bebé junto da imperatriz e fugiu a sete pés dali para fora. Uns meses depois, toda a gente sabia, apesar de a pequena princesa andar sempre tapada para que ninguém a visse.
No dia do baptizado da princesa, veio uma fada, propositadamente convidada pela imperatriz. Quando esta lhe contou o caso da sua filhinha com cara de macaca, a fada respondeu:
- Foste tu que quiseste assim. Foram os teus desejos que te foram concedidos. Mas não te preocupes. Por dentro, a tua princesa-macaca é uma linda rapariga. Basta que um dia um príncipe case com ela. Quando isso acontecer, o príncipe precisará desta laranja que aqui deixo.
- Mas que príncipe aceitará casar com a minha filha? Quando é que isso acontecerá?
- Quando tu já cá não estiveres para o veres.
A imperatriz adoeceu e morreu a pensar nas palavras da fada. O imperador e a sua filha passavam a maior parte do seu tempo num velho palácio que tinham numa clareira da floresta. Ministros, reis, governadores e generais iam visitá-lo para tratar dos assuntos do império, quando era necessário. O imperador cismava: "Será que algum dia aparece um príncipe, como a fada prometeu?". E um belo dia, apareceu mesmo um príncipe, vindo de um reino longínquo à procura de uma princesa.
O resto da história já vocês sabem.
Luís Filipe Redes
Sem comentários:
Enviar um comentário